Em “oitavas” inusitadas, Brasil vence França por 3 a 1 e encara a Argentina

Após a derrota da Itália para o Canadá, partida vira jogo de eliminação direta e quem perdesse estava fora do torneio Olímpico

 

Se tem uma coisa que não combina com as Olímpiadas é a entrega de algum jogo, de algum resultado, o que vai na contramão do espírito esportivo de qualquer esporte que preza sempre pela disputa limpa entre aqueles que se mostram os melhores. Porém, nem sempre esse espírito de jogo limpo se impõe. Com a classificação do grupo A do torneio de vôlei masculino embolada, após as quatro primeiras rodadas, ventilou-se a hipótese que a Itália, líder absoluta da chave, entregaria o jogo para o Canadá e, consequentemente, transformaria a partida entre Brasil e França, na noite desta segunda, 16, no Maracanãzinho em um jogo eliminatório. Afinal, quem perdesse estaria fora da competição. Se a Itália entregou ou não, é leviano afirmar, mas o fato é que os canadenses venceram e jogaram uma imensa responsabilidade nas costas dos atletas de ambas as equipes. Com o peso de ter que vencer de qualquer maneira, os dois times entraram receosos em quadra e a partida fluiu mais nos erros individuais que nas jogadas coletivas. Lucarelli, mais uma vez, não estava em uma grande noite. Felizmente, Wallace estava inspirado, chamou a responsabilidade para si e a seleção de Bernardinho venceu por 3 sets a 1 (25-22, 22-25, 25-19 e 25-23) eliminando a França e se classificando no quarto lugar do grupo. Uma coisa inimaginável antes do torneio.

 

BRASILEIROS COMEÇAM BEM NA PRIMEIRA PASSAGEM

 

Bruninho colocou a bola em jogo dando início ao primeiro set, mas o ponto foi francês. No primeiro minuto de jogo, os franceses chamaram o desafio eletrônico para comprovar um toque de Lucarelli na rede. Os europeus apertaram em busca da vitória e Ngapeth, destaque do time, começou a aparecer. Do lado brasileiro, o oposto Wallace tratava de virar as bolas que Bruninho colocava em sua mão. Quem não estava em uma boa noite era o Lucarelli que tocou na rede pela segunda vez em menos de dez pontos.  O time europeu marcava a saída de rede brasileira e conseguia virar as bolas se mantendo a frente no placar pela vantagem mínima. O levantador Toniutti inteligentemente armava jogadas com bolas rápidas pelo meio de rede, que a defesa brasileira não conseguia acompanhar. Mas o time brasileiro melhorou e quando a França insistia pelas pontas da rede, o bloqueio brasileiro marcava em cima do ataque fazendo os pontos, incendiando a torcida presente no Maracanãzinho e abrindo três pontos pela primeira vez na partida. O ponteiro Tillie explorou o bloqueio brasileiro e com ace de Rouzier, Bernardinho parou o jogo no tempo técnico. Na parte final da passagem, um lance polêmico. O árbitro marcou bola fora do ataque brasileiro, mas o banco pediu o desafio eletrônico para confirmar se a bola realmente havia saído.  A análise das imagens demorou muito e quando apareceu no telão, confirmou a bola dentro do Brasil, por um milímetro. O técnico francês Laurrent Tillie se revoltou com a decisão e acabou levando um cartão amarelo. O técnico brasileiro fez a inversão dos jogadores em quadra, Lipe entrou com um saque espetacular que só não foi melhor que a recepção e passe dos franceses, que viraram a bola. O Brasil se recuperou e no saque para fora de Ngapeth fechou o set em 25 a 22.

 

FRANÇA EXPLORA BLOQUEIO DO BRASIL E EMPATA O JOGO

 

O segundo set começou com ponto francês. Os europeus estavam em busca do empate, pois, quem perdesse a partida estava fora da Rio 2016. A França estava mais consistente nos bloqueios. O Brasil cometia erros e permitia aos adversários se distanciarem, mas Lipe acertava a mão no saque e tentava evitar a reação dos adversários. O jogo seguia com a França administrando a vantagem, principalmente com os ataques na entrada e na saída de rede. Bernardinho tentava segurar a pressão dos oponentes fazendo a inversão de levantadores com o oposto. O bloqueio brasileiro marcava os atacantes dos “Bleus” que aproveitavam para explorar a defesa brasileira e pontuar dentro do set. Após o árbitro marcar uma condução dos franceses, seu técnico parou a partida para esfriar o jogo. O Brasil encostou de vez e colou no placar diminuindo a diferença que chegou a ser de quatro pontos para um. A plateia queria participar e passou a jogar junto. O barulho que faziam depois dos pontos brasileiros impressionava no mesmo tom que as vaias subiam quando os adversários sacavam. Mesmo assim, os campeões da Liga Mundial de 2015 não se abalaram, devolveram o  placar da primeira passagem e fecharam o segundo set em 25 a 22, empatando a partida que, naquela altura, havia virado um jogo de oitavas de final.

 

FRANÇA ASSUSTA, MAS BRASIL REAGE E FAZ 2 A 1

 

No terceiro set, a França saiu na frente, o Brasil reagiu e empatou. O árbitro se enrolou na marcação do quinto ponto.  Primeiro marcou bola fora, depois de muita reclamação voltou atrás e marcou bola dentro. Os franceses começaram a botar bola no chão e abriram dois pontos de vantagem. Os atletas da casa se concentraram, buscaram a diferença e no toque na rede francês, viraram para 10 a 9. O público foi à loucura com o ouro do salto com vara anunciado no placar. Coincidentemente, Lucarelli começou a melhorar na partida e explorou o bloqueio dos adversários. O jogo estava disputado ponto a ponto. No bloqueio brasileiro para cima de Ngapeth, o Brasil passou a frente de novo. Lucarelli achou uma bola salvadora na diagonal curta e abriu dois pontos de vantagem, obrigando o técnico a pedir tempo técnico. Na volta, Bruninho errou o saque. Lucarelli mostrou que queria mesmo entrar no jogo. Com dois bloqueios, os donos da casa abriram quatro pontos de vantagem. A França reagia e buscava a diferença, mas o bloqueio brasileiro funcionava e marcava o passe dos adversários aumentando mais um ponto na frente. Os ponteiros brasileiros se movimentavam, Lipe batia forte no meio de rede e a vantagem brasileira chegou a seis pontos. O Brasil girava as bolas, administrando o set e conseguiu o ponto do set, porém, atacou para fora e desperdiçou a primeira oportunidade de fechar a passagem. Em uma bola dividida na rede, Bruninho forçou a mão do francês e conquistou o ponto para fechar o set em 25 a 19.

 

LUCARELLI VOLTA A JOGAR BEM E WALLACE CRESCE NA RETA FINAL

 

Lucarelli voltou ao jogo no terceiro set e quando não dava conta de virar as bolas, a missão ficava com Lipe que, vindo do banco de reservas, chamava a responsabilidade da partida. O quarto set começou com um belo bloqueio brasileiro. Ngapeth estava impossível e virou uma bola atacando de costas. No ponto seguinte, o francês passou no susto, Bruninho buscou, jogou pro outro lado de primeira e a bola caiu rente à rede dando o ponto para o Brasil. Os franceses não desistiam e acertaram um grande saque no peito de Serginho e empataram a passagem. O árbitro errou em uma marcação e a seleção visitante solicitou o desafio eletrônico para provar que o ataque havia sido em cima da linha. De repente, um susto. Mauricio Souza pisou no pé de Lucarelli e precisou de atendimento médico em quadra. Tudo bem com o meio de rede brasileiro a partida seguiu sem mais contratempos. A França administrava três pontos na frente. Mas quem tem Wallace tinha que ter esperanças. O oposto cravou um ace e diminuiu a contagem. O time da casa conseguiu o contra ataque, no lançamento para Wallace atacar de trás da linha de três metros, a bola saiu. Bernardinho solicitou o desafio eletrônico, pedindo um toque na rede do adversário. Após analisar as imagens, ficou comprovado o toque, mas aconteceu após a bola ter batido no chão, ponto francês. Na sequência, o craque Ngapeth parou no bloqueio simples de Lucão que empatava o jogo mais uma vez. A França também pediu o desafio eletrônico e comprovou o toque no bloqueio brasileiro, abrindo dois pontos em um momento importante, já que precisavam vencer o set de qualquer maneira. Bernardinho promoveu a inversão do time em quadra, mas Rouzier estava atento, atacou no fundo de quadra e garantiu a bola dos europeus. Lucarelli atacou para fora e o banco brasileiro pediu o desafio eletrônico. O técnico desfez a inversão, Serginho chamou a galera, Bruninho sacou e francês atacou para fora. As arquibancadas foram ao delírio, o banco francês desafiou a marcação e o vídeo comprovou que tocou no dedo mindinho do bloqueador. O técnico francês parou o jogo e no retorno Wallace cravou a bola conseguindo o vigésimo quarto ponto. No ataque para fora de Rouzier, o ponto derradeiro. Depois do sufoco, o time verde e amarelo fechava o set em 25 a 23 e a partida de virada em 3 sets a 1.

 

O levantador Bruninho se mostrou satisfeito com o poder de reação da equipe que foi acuada pela França em determinado momento da partida.  Porém, os brasileiros reagiram e saíram de uma situação delicada já que a derrota eliminava os brasileiros.

 

- Mais uma vez fomos colocados contra as cordas e saímos. Soubemos ter paciência, lucidez e coração. A gente não merecia ser desclassificado na frente do nosso publico que esta nos apoiando muito. Agora, é baixar a adrenalina por que tem mais uma final com a Argentina, na quarta. Ano passado, percebemos que todos os times forçam o saque demais, foi uma mudança que não tem mais volta. Então, contra todos os times, temos que forçar o saque para vencer as partidas. Combinamos de fazer isso, mesmo que às vezes a bola saia – comentou o levantador.

 

 

Chamando a partida de oitavas de final, Bernardinho mostrou preocupação com a Argentina que passou em primeiro em sua chave. O técnico ainda falou da conversa que teve com Lucarelli em um momento que o ponteiro brasileiro não estava bem no jogo.

 

- Tivemos dois tropeços e o time soube trazer a força da torcida para dentro de quadra. Principalmente, no final do quarto set. Essa energia foi importante demais para buscamos o resultado. Ganhamos as oitavas de final. Agora zera tudo e vamos para as quartas. Temos que ter muita atenção coma Argentina. Eles foram primeiros em um grupo com Russia e Polônia. É um time jovem, rápido e que não tem nada a perder. Eles virão pra cima. Vamos endurecer o couro, pois o que passamos nessa primeira fase foi muito complicado. Se colocasse pressão neles, isso podia atrapalhar ia estourar. O Lucarelli começou sacando bem, mas errando tudo no ataque. Eu falei para ele se concentrar se não ia ter que tirar ele do jogo. Pra mim é difícil me segurar as reações, sou de outra geração, uma geração mais explosiva. Mas esses meninos são de uma geração mais centrada, mais fria - disse.

 

FICHA TÉCNICA:

 

Brasil 3 x 1 França

Local: Ginásio do Maracanãzinho

Data: 15 de agosto de 2016 (segunda)

Horário: 22h35m (de Brasília)

 

Levantadores

Bruninho (Modela/Itália)

William (Sada Cruzeiro)

Raphael (Funvic/Taubaté)

 

Opostos

Wallace Souza (Sada Cruzeiro)

Evandro (Suntory/Japão)

Wallace Martins (Brasil Kirin)

 

Centrais

Lucão (Modela/Itália)

Isac (Sada Cruzeiro)

Sidão (Sesi-SP)

Éder (Sada Cruzeiro)

Maurício Souza (Brasil Kirin)

 

Ponteiros

Murilo (Sesi-SP)

Lucarelli (Funvic/Taubaté)

Lipe (Funvic/Taubaté)

Lucas Lóh (Brasil Kirin)

Douglas (Sesi-SP)

 

Líberos

Serginho (Sesi-SP)

Tiago Brendle (Brasil Kirin)

 

Técnico: Bernardinho

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