No sufoco! Rússia derrota Espanha nos pênaltis e está nas quartas de final

Sabendo de suas limitações, anfitriões jogam com consciência; Nos pênaltis, brilha a estrela de Akinfeev que defende duas cobranças e garante a classificação

 

 

Geralmente a Copa do Mundo traz sorte para os donos da casa. Se antes de começar o Mundial, parecia que a seleção da Rússia repetiria o vexame da África do Sul e não avançaria além da primeira fase. Neste domingo, em Moscou, os anfitriões fizeram história e, após o empate de um a um no tempo normal, despacharam a Espanha, vencendo por quatro a três nos pênaltis, conquistando uma classificação para as quartas de final que não vinha desde que o país fazia parte da extinta União Soviética. Sabendo de suas limitações, os atletas comandados pelo técnico Stanislav Cherchesov souberam segurar o ímpeto espanhol, nas raras vezes que os europeus criaram algum tipo de oportunidade. Os campeões do mundo de 2010, apesar de contar com uma boa organização defensiva, abusaram das trocas de passes inúteis e chegaram poucas vezes ao gol de Akinfeev. Foi justamente esse excesso de falta de objetividade, o principal problema da Espanha durante a Copa. Não fosse pelo gol contra de Ignashevich, Dzyuba empatou mais tarde, dificilmente os comandados de Fernando Hierro conseguiriam balançar as redes russas.

 

 

1º TEMPO: SORTE ESPANHOLA, PENALTI BOBO DE PIQUET E TUDO IGUAL NO PLACAR

 

Embalados na força de sua torcida, os russos procuraram iniciar a partida dominando a marcação para tentar ficar com a bola e pressionar os adversários. Os primeiros minutos foram de absoluto marasmo, com as equipes procurando os espaços na marcação do oponente. Na primeira chegada ao ataque, o time espanhol conseguiu uma falta pela ponta direita. Asensio cobrou na direção de Sergio Ramos. O zagueiro disputou com Ignashevich e os dois caíram no chão. Para azar dos donos da casa, a bola tocou no tornozelo direito do defensor russo e enganou Akinfeev. Após abrir o placar, o time da Espanha passou a fazer aquilo que faz de melhor. Os jogadores dominaram a bola e passaram a trocar passes fazendo o tempo passar, evitando que os russos fizessem qualquer tipo de jogada que oferecesse algum perigo para o gol de De Gea.

 

 

Os donos da casa precisavam do gol de empate. Golovin passou pelo marcador e tentou o toque para Dzyuba que raspou de cabeça, a bola voltou para Golovin, que trocou de perna e bateu colocado, tentando o canto esquerdo do goleiro De Gea, mas o tiro saiu pela linha de fundo. Logo em seguida, o time russo levantou bola na área, Dzyuba subiu para cabecear e Piquet acabou cortando a bola com a mão. Pênalti marcado com convicção pelo o árbitro holandês, em uma bobeira do zagueiro do Barcelona. O próprio Dzyuba foi para a bola e bateu com muita força, à esquerda de De Gea, empatando a partida para delírio dos torcedores russos presentes no estádio Lujniki. Os espanhóis tentaram responder. Diego Costa recebeu dentro da área, mas o goleiro russo saiu e evitou a finalização do atacante, no último grande lance do primeiro tempo.

 

 

2º TEMPO: TIKI-TAKA ESPANHOL, INIESTA EM CAMPO E FALTA DE OBJETIVIDADE

 

A segunda etapa começou com a Espanha buscando o ataque para desempatar a partida. Ansensio escapou pela direita e cruzou para Jordi Alba que, de joelho, mandou para o gol, obrigando Akinfeev a fazer boa defesa. Mais tarde, Isco tentou descida pelo lado esquerdo, tabelou com Diego Costa e chutou em cima da zaga. No intervalo, Zhirkov já havia saído para entrada de Granat e o técnico Cherchesov mexeu no time da casa para tentar quebrar o domínio de bola dos adversários. Samedov e Dzyuba deram lugar a Cheryshev e Smolov. Fernando Hierro respondeu colocando Iniesta no lugar de David Silva e Carvajal na vaga de Nacho.

 

 

Porém, as duas seleções pareciam estar satisfeitas com o empate sem se dar conta que os jogos de compadres da primeira fase já haviam acabado e que um dos dois times obrigatoriamente seria eliminada. Apenas nos últimos lances da etapa final os espanhóis saíram da acomodação do jogo de toque de bola e ofereceram algum tipo de perigo para o gol dos donos da casa. Juan alba fez belo cruzamento para Iago Aspas que ajeitou de peito, na entrada da área, para Iniesta. O meia espanhol chegou batendo de primeira, rasteiro e obrigou Akinfeev a fazer grande defesa. Na sobra, o própria Aspas bateu cruzado, mas a zaga afastou o perigo e o tempo regulamentar terminou com o empate, o que provou a primeira prorrogação da Copa do Mundo 2018.

 

 

PRORROGAÇÃO: ENTRADA DE RODRIGO MELHORA TIME DA ESPANHA, MAS RUSSOS SE SEGURAM

 

Apesar da seleção espanhola procurar mais o gol e tentar algumas jogadas ofensivas, o primeiro tempo da prorrogação foi exatamente como havia sido o restante da partida, com os espanhóis mantendo a posse da bola, fazendo uso do toque de bola, mas sem qualquer objetividade no ataque. O time russo também seguiu fazendo a partida que propôs desde o primeiro minuto. Um jogo defensivo com o objetivo de levar a partida para os pênaltis. Para a Copa de 2018, a Fifa autorizou a utilização da quarta substituição. Sempre que uma partida for para a prorrogação, cada uma das seleções poderá fazer a quarta mexida no time para disputar o tempo extra.

 

 

Os russos utilizaram a novidade já no início da disputa, quando ¬¬¬ Erokhin entrou na vaga de Kuzyaev. Porém, foi com a entrada de Rodrigo no lugar de Asensio que o jogo ganhou movimentação. O atacante recebeu de Piquet, ganhou na corrida, passou pelo marcador e bateu com força, no canto esquerdo de Akinfeev, que fez outra grande defesa na partida. Na sobra, Carvajal bateu em cima da zaga russa que afastou o perigo. O time da Espanha seguia na pressão. Koke levantou na área, Sérgio Ramos se enroscou com Kutepov e pediu pênalti. O holandês Bjorn Kuipers esperou a revisão do árbitro de vídeo e mandou o lance seguir. No apagar das luzes da prorrogação, Rodrigo, sempre ele, arriscou de fora da área, com perigo e Akinfeev evitou mais uma vez o gol espanhol.

 

 

DISPUTA DE PÊNALTIS: A CONSAGRAÇÃO DE AKINFEEV

 

Iniesta bateu o primeiro e garantiu a vantagem espanhola. Smolov deixou tudo igual. Piquet e Ignashevich mantiveram os cem por cento nas cobranças. Koke bateu mal, à meia altura e o goleiro russo defendeu. Golovin colocou os russos em vantagem. Sergio Ramos empatou de novo. Cheryshev cobrou no centro do gol e recolocou a Rússia na frente. Na última cobrança, Iago Aspas foi para a bola e soltou a bomba, mas o dia era mesmo de Akinfeev que, com o pé, fez a defesa e colocou a seleção dos donos da casa nas quartas de final da Copa do Mundo.

 

 

PRÓXIMA PARTIDA

 

A Rússia volta a campo na disputa das quartas de final, no próximo sábado, quando enfrenta o vencedor da partida entre Croácia e Dinamarca, às 15h00, em Sochi. Com a eliminação, os campeões do mundo de 2010 voltam para casa com o castigo de ter demitido o técnico dois dias antes da estreia no Mundial.

 

FICHA TÉCNICA
ESPANHA 1 (3) X (4) 1 RUSSIA

 

Local: Lujnik, Moscou
Data: 1 de julho de 2018 (Domingo)
Horário: 11h (de Brasília)

 

Árbitro: Bjorn Kuipers (HOL)

 

Gols: Sergey Ignashevich (contra) 12’/1ºT (Espanha) e Artyom Dzyuba 41’/1º T (Rússia)

 

Cartões amarelos: Gerard Piqué (Espanha); Ilya Kutepov e Roman Zobnin (Rússia)

 

ESPANHA: David De Gea; Nacho (Dani Carvajal), Gerard Piqué, Sergio Ramos e Jordi Alba; Koke e Sergio Busquets; David Silva (Andrés Iniesta), Isco e Marco Asensio (Rodrigo); Diego Costa (Iago Aspas)
Técnico: Fernando Hierro

 

RÚSSIA: Igor Akinfeev; Mário Fernandes, Ilya Kutepov, Sergey Ignashevich, Fedor Kudryashov e Yury Zhirkov (Vladimir Granat); Aleksandr Samedov (Denis Cheryshev), Roman Zobnin e Daler Kuziaev (Aleksandr Erokhin); Artem Dzyuba (Fedor Smolov) e Aleksandr Golovin
Técnico: Stanislav Cherchesov

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