Alison e Bruno derrotam holandeses em jogo nervoso e vão brigar pelo ouro da Rio 2016

Dupla brasileira desperdiça três bolas para fechar o jogo, vê holandeses empatarem, mas define no tie-break e vence por 2 a 1.

Certamente, o torneio de vôlei de praia das Olimpíadas Rio 2016 é um teste para o coração de qualquer torcedor brasileiro. Tanto no masculino, como no feminino, qualquer partida na Arena de Copacabana é sinônimo de fortes emoções. Claro que em uma semifinal olímpica não poderia ser diferente. Depois de um primeiro set que jogaram com inteligência e não passaram por qualquer tipo de dificuldades, Alison e Bruno tiveram três bolas para fechar a partida no segundo, mas hesitaram e permitiram uma incrível virada da dupla holandesa Alexander Brouwer e Robert Meeuwsen. No set de desempate, a dupla brasileira teve que mostrar maturidade, pois ficou atrás do placar quase o tempo todo. No terço final, conseguiram impor seu jogo e com grande atuação nos últimos pontos fecharam a partida e vão disputar a medalha de ouro do torneio.

 

Set aberto com um ponto de bloqueio holandês, imediatamente devolvido pelo brasileiro Alisson que chamou a torcida para dentro da partida, balançando os braços e incendiando o publico. Aliás, o brasileiro Alisson mostrou que estava no espírito do jogo e que poderia até perder a partida, mas seria com muita luta. O “mamute”, como é conhecido o jogador, estava em um dia inspirado na defesa e no bloqueio. Seguidamente armou o bloqueio para cima de brower estabelecendo uma vantagem de quatro pontos. Os holandeses estavam acuados e não conseguiam jogar. Em compensação, o time brasileiro acetava a mão para desespero dos adversários. Bruno Schmidt também jogava muito bem e trocava passes redondos com o parceiro. Os holandeses tentavam resistir de todas as formas, mas a vitória ficou mesmo com a dupla dona da casa que fechou a parcial em 21 a 17.

 

O segundo set começou com belo um ponto brasileiro de Alisson após um pequeno rally. Os holandeses tentavam reagir dentro da partida, mas o volume de jogo dos brasileiros impressionava àqueles que assistiam ao jogo. Bruno seguia muito bem nas defesas e no passe e Alisson estava impossível nos bloqueios. A cada ponto que o time da casa conseguia, o publico comemorava muito, porém, sem a energia de outros dias.  A dupla holandesa resistia e tentava dificultar o jogo, inclusive solicitando os desafios eletrônicos para segurar o ímpeto dos brasileiros. O holandês Meeuwsen levantava todas as bolas de uma maneira esquisita que parecia um passe de dois toques. Os brasileiros reclamavam bastante das marcações do juiz em relação à esses passes. O brasileiro Alisson chegou a tomar um cartão amarelo devido a reclamação de uma das bolas do juiz. A vantagem se alternava em um ponto para cada dupla e na pancada de saque de Bruno, os holandeses devolveram para fora, solicitando o desafio eletrônico que confirmou a marcação do juiz. O jogo esquentou. Em uma sequencia de grandes defesas, as duplas fizeram a maior sequencia de disputa de bolas que terminou com o ataque do holandês para fora e com o pedido de tempo técnico dos visitantes. Os holandeses eram valentes, não se entregavam, salvaram três bolas do jogo e empataram em 20 a 20. Com dois bloqueios perfeitos e um ace, Brouwer e Meeuwsen surpreenderam e fecharam o set em 23 a 21, levando a partida para o tie break.

 

O set de desempate começou disputado com um belo bloqueio holandês. Alisson virou a bola cravando no chão e empatando. Mas com o erro de Bruno e o bloqueio no ataque de Alisson, os europeus colocaram dois pontos de vantagem. Os brasileiros pararam a parida solicitando o desafio eletrônico que comprovou a bola fora do ataque da dupla. os donos da casa tinham perdido um pouco da confiança, desde o fim do set anterior. Mas nada que dois pontos seguidos não ajudem a recuperar a confiança e melhorar o aproveitamento no bloqueio, um dos grandes trunfos dos brasileiros. Bruno mudou a tática da equipe dentro de quadra e passou a colocar a bola em jogo o máximo de tempo possível, deixando a pressão do erro para os visitantes que bobearam e viram o Brasil bater forte no bloqueio, colocando três pontos de vantagem no placar. Alisson atacou para fora e o time brasileiro pediu um tempo técnico para quebrar a reação da Holanda. Deu certo e a dupla da casa virou a bola. Os visitantes empataram a partida no erro de saque de Bruno e no bloqueio montado em cima de Alisson. Os brasileiros erravam muito, principalmente no saque, mas para sorte dos donos da casa, os europeus devolviam a gentileza. Alisson montou um bloqueio espetacular pra cima do holandês e conseguiu o primeiro ponto do jogo que os holandeses salvaram, mas com duas defesas gigantes de Bruno, os brasileiros fecharam em 15 a 13 e conquistaram a vaga na final para disputar a medalha de ouro. O gigante Alisson caiu na areia aos prantos, chorando copiosamente. Do outro lado, o holandês também se jogou no chão, lamentando a derrota.

 

Medalha de prata na Olimpíada de Londres, Alison falou das dificuldades que a dupla passou para chegar na final olímpica e do momento difícil na semifinal.

 

- Ali retomar essa parceria, sem dúvidas, foi um grande acerto. O Bruno sempre acreditou em mim, acreditou no projeto que montamos. Treinamos em Vitória e começamos o circuito mundial tendo que disputar o torneio de qualificação. Ele (Bruno) me disse que essa disputa nos daria muita humildade e foi exatamente isso que aconteceu. Sou um iluminado de poder participar de uma segunda final olímpica, ainda mais, no nosso país. Já temos a prata e vamos buscar mais. Queríamos lutar para fechar em dois a zero. Tivemos bolas para isso, mas não conseguimos e vamos melhorar para amanhã não cometer os mesmos erros de hoje – analisou.

 

Bruno Schmidt observou os erros cometidos pela dupla na partida de hoje e fez questão de empurrar o favoritismo para longe da dupla brasileira.

 

- Falam muito de nosso favoritismo, mas, com todo respeito, esse favoritismo eu deixo para o pessoal da imprensa. Em um torneio longo como esse, tudo pode acontecer. Tentei me concentrar demais e só pensava em jogar o máximo e buscar os resultados na competição. Falei para o Alison que a gente precisava passar por esse momento ruim. Foi emocionante, as coisas davam errado, o saque não entrou e por tudo que aconteceu, foi muito bacana que podemos ser fortes até o fim – comemorou.

 

Nesta quarta, a dupla brasileira volta à Arena de Copacabana para disputar a medalha de ouro com os vencedores do confronto entre os italianos Paolo Nicolai e Daniele Lupo e os russos Viacheslav Krasilnikov e Konstantin Semenov.

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