Espelho! Brasil não sai do 0 a 0 com o Iraque expõe fragilidade do futebol nacional

Time de Rogério Micale não mostra evolução, joga mal, irrita torcida e deixa estádio aos gritos de “olé iraquiano" e “Marta”

Os anos passam e nada muda. O comportamento da seleção brasileira de futebol masculino nas Olimpíadas Rio-2016 é exatamente o retrato do que se tornou o esporte mais amado do país, ou seja, uma bagunça. O que vimos no estádio Mané Garrincha, em Brasília, foi um grupo que não chega perto de ser um time. É impressionante como a seleção brasileira, pentacampeã do mundo, não consegue criar uma jogada tática, minimamente ensaiada e que qualquer estagiário de educação física aprende na faculdade. E isso, com direito a colocar em campo a maior estrela da companhia, o “menino Neymar”. O empate por 0 a 0 com o Iraque, diferente daquilo que o torcedor gritou nas arquibancadas, não aconteceu por falta de raça ou por falta de entrega dos atletas, mas por falta de qualidade tática do conjunto coletivo brasileiro, apesar desse grupo estar treinando exclusivamente para o torneio olímpico faz mais ou menos 15 dias.  O nível da coisa é tão patético que, em determinado momento, ecoaram das arquibancadas gritos de “olé” a cada toque de bola da seleção iraquiana.

 

O técnico Rogério Micale demonstra que pode ter sido supervalorizado após a saída de Dunga do comando da seleção. Novamente, o técnico fez alterações técnicas e táticas que já não tinham surtido efeito no amistoso contra o Japão e na estreia contra a África do Sul, mesmo assim, o novato insistiu nas mudanças. É estarrecedor ver o time olímpico que já teve nomes do quilate de Romário, Ronaldo, Bebeto e Ronaldinho Gaúcho não conseguir marcar um único gol contra seleções do terceiro e quarto escalão do futebol mundial. Pior que isso, foi surpreendido taticamente pela seleção do Iraque, país que até outro dia estava em guerra e mostrou como se defender quando tem a consciência que é tecnicamente inferior ao adversário. A tática de anular as jogadas brasileiras deu muito certo. Em dado momento, Neymar se viu cercado por três adversários que o desarmaram sem esforço na lateral do campo.

 

PRIMEIRO TEMPO DE CORRERIA DESORGANIZADA E PADRÃO DE “PELADA”

 

A primeira etapa foi um misto de barulho da torcida, ansiosa para soltar o grito de gol, e o futebol de “pelada” apresentado pela seleção que apertou o Iraque desde o primeiro lance. Com dois minutos, Neymar já havia colocado Gabriel Jesus duas vezes na cara do gol. Na primeira chance, o atacante dividiu a bola com o goleiro que salvou o time asiático, na segunda, deslocou o goleiro, mas a bola saiu a direita do gol de Hameed. Aos onze minutos, quase o gol do Iraque. Em jogada ensaiada, com a bola alçada na pequena área, o goleiro Everton saiu mal e não conseguiu cortar o cruzamento, Raheen se antecipou e cabeceou, a bola tocou na trave esquerda e saiu, para alívio do time canarinho. Aos 27 minutos Neymar partiu em velocidade e bateu colocado para grande defesa do goleiro iraquiano, mas o lance estava paralisado pelo bandeirinha que marcou impedimento do atacante do Barcelona.

 

Os atletas brasileiros seguiam insistindo em jogadas individuais, pressionando para fazer o primeiro gol nas Olimpíadas. Neymar tentou de cabeça. Em seguida, Zeca fez grande jogada pela direita, driblou o zagueiro, invadiu a área e bateu forte para outra grande defesa de Hameeed. O time “Canarinho” seguia perdido taticamente em campo, dependendo dos lampejos de alguns de seus talentos individuais. Gabriel Jesus se esforçava, após confusão na área iraquiana, chutou prensado e a bola foi para escanteio que Neymar cobrou fechado e quase marcou um belo gol olímpico, momento raro de inspiração do “menino”. No fim do primeiro tempo, Renato Augusto acertou o travessão após cobrança de falta que desviou na barreira e foi só.

 

MEXIDAS DE MICALE NÃO SURTEM EFEITO NO SEGUNDO TEMPO

 

Na etapa final, Micale colocou Luan no lugar de Felipe Anderson. Logo que a bola rolou, a partida ficou paralisada por três minutos para atendimento ao goleiro Hameen. Porém, para desespero do torcedor brasileiro, o festival de horror continuaria. O aguerrido time iraquiano tocava a bola com qualidade, entrava tabelando no meio da defesa brasileira e criava chances perigosas. A primeira grande oportunidade dos donos da casa veio apenas aos 20 minutos com Luan que arriscou de fora da área para defesa do goleiro adversário. A torcida seguia esquizofrênica, sem saber se apoiava ou vaiava. Ao mesmo tempo em que entoavam gritos de “Marta”, “raça” e “olé”, o som das arquibancadas ganhava coro de expectativa a cada princípio de ataque comandado por Neymar ou Renato Augusto, que no fim da partida parecia mais um atacante, devido a mudança de seu posicionamento.  Aos 32, foi a vez de Tiago Maia experimentar de longe e, mais uma vez, Hameed colocou para escanteio. Quase no apito final, um torcedor invadiu o campo rodando a camisa, fazendo festa e sendo rapidamente agarrado por um batalhão de seguranças que o tiraram do gramado em menos de um minuto. Nos acréscimos, acreditem, em jogada de contra-ataque, Renato Augusto perdeu uma chance incrível, com o gol praticamente vazio. Nem os sete minutos de acréscimos dados pelo árbitro foram suficientes para fazer o Brasil quebrar o incômodo jejum de gols olímpicos.

 

RENATO AUGUSTO TENTA EXPLICAR O FIASCO

 

Após a partida, Renato Augusto tentou explicar o tropeço brasileiro na segunda partida das Olimpíadas. - O time sofre uma ansiedade muito grande para fazer logo esse gol e isso está atrapalhando. Mesmo assim, tivemos oportunidades, mas a bola não entrou. Porém não dá para ficar reclamando. Agora, teremos um jogo difícil, de responsabilidade. Esse momento é para o grupo se fechar, vencer a Dinamarca, se classificar e chegar forte na segunda fase – o meia ainda falou sobre as vaias que recebeu da torcida durante quase toda partida – Não foi a primeira vez que me vaiaram, nem ser a última. Claro que é ruim, mas se eu fizesse um gol, estaria sendo aplaudido. O torcedor é emotivo. Temos que entender e respeitar – disse.

 

PARA GABRIEL JESUS, SELEÇÃO DEVE MANTER PADRÃO DE JOGO

 

O atacante Gabriel Jesus, de maneira inacreditável, afirmou que o time verde e amarelo está jogando bem e que o padrão de jogo deve ser mantido. – Estamos jogando bem, criando oportunidades. Eu mesmo tive três chances hoje e não consegui marcar. Então, as chances existem, apenas não conseguimos marcar o gol, o que é um detalhe. Tenho certeza que depois que fizermos o primeiro, conseguiremos fazer outros. Estamos jogando bem e vamos continuar jogando assim, uma hora o gol sai – declarou o novo xodó do badalado técnico Pep Guardiola. Será que alguns dos assessores que cercam esse menino lembraram-se de avisá-lo que, caso o time de Micale demora mais de 90 minutos para fazer esse “primeiro” gol que irá “abrir a porteira”, o sonho do ouro olímpico pode acabar? Pelo visto, essa não é a prioridade daqueles que cercam os principais jogadores do futebol brasileiro.

 

Na quarta-feira, dia 10, a seleção brasileira joga sua sorte no torneio olímpico de futebol masculino. Caso haja um vencedor no duelo entre Iraque e África do Sul, o Brasil precisará vencer a Dinamarca para seguir na luta pela tão sonhada medalha de ouro, caso contrário estará eliminado na primeira fase da Rio-2016, um vexame capaz de fazer o torcedor sentir saudades do 7 a 1 da semifinal da Copa de 2014.

 

FICHA TÉCNICA

BRASIL 0 X 0 IRAQUE

Local: Estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF)
Data: 7 de agosto de 2016 (Domingo)
Horário: 22h (de Brasília)

Árbitro: Ovidiu Hațegan (Romênia)

Cartões amarelos: Thiago Maia (Brasil), Douglas Santos (Brasil), Rodrigo Caio (Brasil) Ali (Iraque), Kareem (Iraque), Hameed (Iraque), Tariq (Iraque) e Luaibi (Iraque)

BRASIL: Weverton; Zeca, Rodrigo Caio, Marquinhos e Douglas Santos (William); Thiago Maia, Renato Augusto e Felipe Anderson (Luan); Neymar, Gabriel Jesus (Rafinha) e Gabigol. Técnico: Rogério Micale

IRAQUE: Hameed; Ibrahim, Ali, Ismael, Natiq e Nadhim; Luaibi (Faez), Adnan e Attwan; Abdul-Raheem (Ahmed) e Kareem (Tariq). Técnico: Abdulghani Alghazali

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