Apáticas! Meninas jogam mal, são derrotadas pelo Canadá e perdem chance do bronze

 

Não deu nem para torcer. Após a derrota para a Suécia, na semifinal, a seleção brasileira de futebol feminino entrou abatida em campo, para enfrentar o Canadá, na disputa pela medalha de bronze da Rio 2016. Além do desânimo por não ter chegado à disputa da medalha de ouro, Marta e companhia mostraram uma enorme desorganização tática. O time não criou uma jogada contundente de ataque no primeiro tempo e só chegou ao gol no fim da partida, depois de estar perdendo por dois a zero. O técnico Vadão, que durante toda competição não conseguiu fazer seu time apresentar o mínimo comportamento tático, nada pode fazer frente aos problemas apresentados por sua equipe. Se em outros jogos, o talento individual resolveu, desta vez, não houve o que fazer. O Canadá dominou toda a partida, colocou a bola no chão e controlou o jogo com inteligência e estratégia. Apesar da derrota, o público presente na Arena Corinthians, na tarde desta sexta-feira, reconheceu o esforço das brasileiras, aplaudindo muito as meninas ao fim do jogo.

 

CANADENSES DOMINAM PRIMEIRO TEMPO COM BRASIL APÁTICO

 

O jogo começou devagar, a seleção brasileira estava com dificuldades criar suas oportunidades e já no início da partida começou a lançar bolas cruzadas dentro da área, o que acabou com diversas chances de gols em outras partidas. As canadenses tentavam buscar o jogo. Logo na primeira vez que chegaram, receberam uma falta no lado esquerdo do ataque. Na cobrança, Sinclair cobrou com perigo e acertou o travessão de Bárbara que estava batida no lance. O Brasil criava pouco e quando consegui chegar dentro da zaga adversária, não oferecia perigo. O time visitante insistia nos cruzamentos na área, principalmente com Mathenson pela ponta direita. Mesmo pressionada, a zaga brasileira conseguia afastar as bolas sem maiores problemas. Até que, aos 25, Rafaelle perdeu a bola no campo de ataque brasileiro, Lawrence recebeu e puxou o contra ataque pela esquerda, invadiu a área e rolou para a atacante Rose estufar as redes de Bárbara, colocando as canadenses na frente do placar. O gol desestabilizou a seleção de Vadão que passou a jogar muito mal na primeira etapa. O time exagerava nas enfiadas longas de bola, nas jogadas individuais e era facilmente desarmado pelas oponentes.

 

CANADÁ AMPLIA, BRASIL DIMINUI, MAS NÃO REAGE A TEMPO

 

A seleção brasileira voltou para o segundo tempo com a atacante Debinha no lugar de Cristiane, provavelmente para dar velocidade ao time, já que a titular vinha de contusão nas últimas partidas. Logo no início do segundo tempo, Marta chegou atrasada na bola pegou Buchanan e recebeu cartão amarelo. No minuto seguinte, Lawrence acertou o tornozelo de Fabiana, falta marcada pela árbitra, mas sem advertência. Aos sete minutos da segunda etapa, Fleming fez uma grande jogada pela direita do ataque canadense, driblou a marcadora brasileira, abriu na ponta para Rose que centrou na área para Sinclair bater no canto esquerdo da goleira brasileira e ampliar para o Canadá. Com dois a zero no placar, as coisas começaram a se complicar para as Brasileiras. O brasileiro tentava reagir. Formiga cabeceou para o meio da área, após rebatida da zaga, Rafaelle emendou, mas a bola foi para fora. O técnico Vadão finalmente resolveu mexer na distribuição tática de suas comandadas, mas colocou a lateral Poliana no lugar da atacante Andressa Alves. Na sequência, Rose puxou mais um contra ataque, entrou sozinha na área e acertou a trave de Bárbara. Por muito pouco a mexida do comandante brasileiro não foi premiado com o tiro de misericórdia na disputa por medalha. Em mais uma mexida “espetacular”, o treinador brasileiro tirou a lateral Tamires e colocou a Zagueira Érika. O Canadá também mexeu com a entrada de Schmidt no lugar de Mathenson e Beckie na vaga de Tancredi.

 

O time da casa estava entregue não conseguia criar nenhuma chance de gol. Quem continuava no ataque era o Canadá. Lawrence driblou Mônica e chutou cruzado, a goleira brasileira espalmou para o meio da área e a zaga afastou. Finalmente, Marta apareceu. Driblou a zagueira canadense e levantou na área, Debinha chegou cabeceando para o chão, a bola quicou e passou muito perto do ângulo esquerdo de Labbe. O Brasil partiu com força para o ataque, mesmo se expondo na parte defensiva. Aos trinta e três, Rafaelle cobrou lateral, Érika desviou de cabeça e Beatriz, sozinha, dentro da pequena área, girou e bateu no canto esquerdo da goleira canadense, diminuindo o prejuízo e acabando com o jejum de gols do time verde e amarelo na competição. A última vez que as meninas do Brasil tinham balançado as redes das adversárias foi na segunda rodada do torneio, na vitória por cinco a um, em cima da Suécia. A seleção contava com lampejos individuais das atletas de seu time. Beatriz recebeu na ponta direita da área, deixou Chapman no chão e bateu colocado, mas a bola saiu pelo alto. Com a vantagem no placar e mais organizada em campo, a seleção do Canadá passou a tocar a bola com calma, esperando o tempo passar para conquistar a medalha de Bronze. Às meninas do Brasil restou o consolo do reconhecimento do público presente na Arena Corinthians.

 

No fim do jogo, Formiga era o reflexo da tristeza por não ter conseguido conquistar o bronze. A volante que se despede da seleção brasileira se colocou a disposição para ajudar, agora, do lado de fora do campo.

 

- É muito difícil, porque a gente queria coroar todo o trabalho. Queríamos dar o retorno de todo o investimento que foi feito. Essa é a maior prova que se investir, o resultado vem, que vamos colher os frutos no futuro. Quero dar os parabéns para todas as minha companheira que lutaram muito e mereciam uma sorte melhor. Desejo toda sorte para quem vai continuar e o que puder fazer de fora das quatro linhas para ajudar irão fazer. A gente fica triste, sofre muito, mas não pode se abater – revelou.

 

Eleita cinco vezes a melhor jogadora de futebol do planeta, Marta falou sobre o que representou para ela e para suas companheiras os jogos nas olimpiadas do Rio de Janeiro. A meio-campo ainda pediu mais apoio para a modalidade e agradeceu ao público presente nos estádios.

 

- Está muito cedo para pensar no que vou fazer. Tudo ainda está meio embaraçado na minha cabeça. Queria muito o bronze para encerrar esse ciclo, mas a gente não começou bem e só foi melhorar depois de tomar o gol. Bobeamos no início do segundo tempo e tomamos o segundo. Com o estádio cheio, como estava, é difícil até para nos comunicarmos. O jogo foi muito parado, houve muita catimba e só tivemos três minutos de acréscimo. Isso é um absurdo, mas não foi a primeira vez e não será a última.  Precisamos seguir com o pensamento de melhorar a modalidade. Essa Olimpíada foi muito importante para isso. Conseguimos vencer e encher os estádios. Esse é nosso maior prêmio. Lógico que a gente queria subir ao pódio, mas o reconhecimento é o maior prêmio que a gente pode levar. Peço ao povo brasileiro que não abandone o futebol feminino. Não deixem de apoiar a gente que precisamos muito de vocês – disse a meio-campo, com lágrimas nos olhos.

 

FICHA TÉCNICA

BRASIL 1 X 2 CANÁDA

 

Local: Arena Corinthians, São Paulo (SP)

Data: 19 de agosto de 2016 (Quarta)

Horário: 13h (de Brasília)

 

Árbitra: Teodora Albon (ROU)

 

Gols: Beatriz 33’/2ºT (Brasil); 25’/1ºT e Sinclair 7’/2ºT (Canadá)

 

Cartões amarelos: Andressa Alves, Marta e Refaelle (Brasil)

 

BRASIL: Bárbara; Fabiana, Rafaelle, Mônica e Tamires (Érika); Thaisa, Formiga e Marta; Andressa Alves (Poliana), Bia e Cristiane (Debinha)

Técnico: Vadão

 

CANADÁ: Labbé; Bélanger, Buchanan, Zadorsky e Lawrence; Matheson (Schmidt), Scott e Fleming; Rose, Sinclair e Tancredi (Beckie)

Técnico: John Herdman

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