Seleção Feminina detona Rússia, vai às quartas sem perder nenhum set e pega a China

Time de Zé Roberto Guimarães mostra força psicológica, termina primeira fase com cinco vitórias e segue dando show no torneio de vôlei feminino da Rio 2016

 

Arrasadora! A seleção brasileira segue imbatível no torneio feminino de vôlei das Olímpiadas Rio 2016. As bicampeãs olímpicas não deram chances para as adversárias e venceram as russas por 3 sets a 0 (25-23, 25-21 e 25-21), na noite deste domingo, 14, no Maracanãzinho, conquistando a quinta vitória consecutiva e ficando com a primeira colocação do grupo A sem perder um set sequer na competição. A Rússia até tentou dificultar a partida, mas o volume de jogo brasileiro impressiona pela qualidade, principalmente, nos momentos difíceis, onde as meninas douradas do Brasil mostram o quanto estão fortes e preparadas psicologicamente para buscar a terceira medalha de ouro seguida. Com grandes atuações de Sheilla e Natália, com a bela entrada de Jaqueline e com a volta de Thaisa à equipe titular, ganhando a vaga de Juciely, o time reagiu nos momentos certos e, apesar de tomar um susto no último set, quando o fantasma da eliminação na semifinal das Olimpíadas de Atenas 2004 veio à tona, fechou a partida com autoridade e espantou o trauma em definitivo.

 

APESAR DE ABUSAR DOS ERROS, BRASIL VENCE O PRIMEIRO SET

 

Depois da contusão na panturrilha, Thaisa estava de volta ao time titular e foi dela o primeiro ponto da partida, atacando uma bola rápida no meio de rede. As russas engrossaram, aproveitaram para passar a frente no placar e abriram dois pontos. Em um jogo desse nível, qualquer desatenção pode ser fundamental, as brasileiras viraram quatro bolas seguidas e inverteram a desvantagem de dois pontos. O técnico russo, famoso por solicitar desafios eletrônicos em momentos curiosos, aprontou mais uma. Desafiou a marcação do juiz afirmando que a bola de ataque de seu time havia sido dentro, mas as imagens mostraram que a bola foi muito para fora, o que gerou uma tremenda vaia da galera. Com o jogo equilibrado, o Brasil contava com a sorte, pois quando errava os ataques ganhava pontos de volta pelos erros das estrangeiras. Natália virava todas as bolas e abusava das largadas por cima do bloqueio. As donas da casa abriram três pontos de vantagem pela primeira vez na partida e a comissão técnica da Rússia parou o jogo. Kosheleva acertava a mão e Fê Garay não estava cem por cento confiante na partida. Mesmo assim, Dani Lins insistiu na jogada com a ponteira até ela virar a bola e garantir o ponto. As meninas brasileiras se encontraram e ampliaram o placar. Yuri Marichev tentava parar a partida de todas as formas. Pediu tempo técnico, solicitou o desafio eletrônico e suas comandadas iniciaram uma reação. Então, com a vantagem diminuindo para dois tentos, foi a vez de Zé Roberto Guimarães para a partida. Com a retificação da pontuação no placar e no bloqueio de Kosheleva, que jogava demais, a vantagem caiu para um ponto. Porém, as bicampeãs olímpicas retomaram a diferença. Mas as russas estavam determinadas e conseguiram empatar em 23 a 23. Meio apagada na partida, Fernanda Garay reapareceu em grande estilo. Primeiro bloqueou o ataque russo, depois cravou a bola na quadra das adversárias, fazendo o ponto e fechando o set em 25 a 23.

 

JAQUELINE ENTRA BEM E SHEILLA COMEÇA A APARECER NA PARTIDA

 

O início de segundo set das brasileiras foi complicado. As russas pareciam dispostas a correr atrás do prejuízo do set anterior. O time de Zé Roberto seguia errando muito. Mas time campeão olímpico é time campeão olímpico. A líbero Leia salvou uma bola espetacular que quase tocava o chão e Natália virou o contra-ataque na largada da jogadora russa. O técnico Marichev perdeu mais um dos seus desafios eletrônicos solicitados e Kosheleva seguia bloqueando e virando as bolas que caiam em sua mão. Emoção, disputa e, no erro das donas da casa, dois pontos de vantagem para as russas. O técnico brasileiro não hesitou, colocou Jaqueline no lugar de Fê Garay que não estava bem na recepção. As meninas reagiram e Sheilla começou a aparecer na partida. Jogando com inteligência, passou a explorar o montado bloqueio russo e colocou seu time na dianteira no placar. Com 17 a 15 o comandante russo parou o jogo mais uma vez. Dani Lins alternava bolas na entrada de rede com Natália e no centro com Thaisa e Fabiana. No fundo, Jaqueline e Leia faziam grandes atuações na defesa. O ataque das russas parou no bloqueio triplo brasileiro e a vantagem aumentou para seis pontos. Gabi entrou para sacar e fechar, mas jogou para fora. Natália teve a chance de fechar e também não conseguiu. Sheilla forcou o bloqueio e atacou para fora. Zé Roberto pediu o desafio eletrônico e a mesa avaliou a jogada errada. Então, foi hora de parar a partida. Após o tempo técnico, Sheilla explorou o bloqueio das russas e fechou o segundo set em 25 a 21.

 

BRASIL ABRE OITO PONTOS, RUSSIA CHEGA, MAS SELEÇÃO NÃO DA CHANCE DE REAÇÃO PARA AS FANTASMAS DE ATENAS

 

No inicio do terceiro set, brasileiras e russas ficaram trocando bolas, se alternando na ponta. As brasileiras abriam um ponto e as russas empatavam. Então, Sheilla pediu o desafio eletrônico, pois o juiz de rede havia marcado bola fora no saque da oposta. As as imagens do vídeo confirmaram que a bola pegou bem em cima da linha, garantindo a vantagem de dois pontos para alegria da oposta. Com as pontas de rede marcadas, Dani Lins passou a distribuir as bolas pelo meio nas mãos de Thaisa e Fabiana, o que enlouquecia a  marcação russa. O Brasil abriu 15 a 12 e obrigou o treinador adversário a parar a partida e pedir tempo técnico. Sheilla seguiu no saque, conseguiu um ace, quebrou a recepção das russas e em um contra-ataque brasileiro, abriu 18 a 12. Seis pontos atrás no placar, o russo parou o jogo de novo. Mais um tempo técnico e em menos de cinco minutos. Sheilla continuava variando os saques e Jaqueline simplesmente voava nos contra-ataques brasileiros, virando bolas e aumentando a vantagem das bicampeãs olímpicas para oito pontos. Fabíola e Gabi entraram nos lugares de Dani Lins e Sheilla na substituição que virou rotina durante os jogos do torneio olímpico de vôlei feminino. Como sempre, deu certo. Gabi virou a bola, explorando o bloqueio das oponentes, mas o árbitro deu bola fora. A ponteira solicitou o desafio eletrônico e mostrou que a bola havia tocado no dedo mindinho da bloqueadora russa para felicidade dos torcedores que fizeram muito barulho. Na sequência, em mais um ataque de Gabi, a vantagem aumentou para oito pontos. As europeias reagiram e viraram quatro bolas seguidas, obrigando Zé Roberto Guimarães a parar a partida. O técnico brasileiro desfez a inversão e devolveu as titulares para quadra. As visitantes diminuíram a diferença para dois pontos, mas o Brasil conseguiu virar a bola explorando o bloqueio. Com um saque venenoso de Dani Lins e um ataque poderoso de Natália, desafiado pelo atrapalhado comandante russo que pedia bola fora, mas que no desafio eletrônico ficou comprovado que foi ponto brasileiro. Ponto que encerrou o set em novo 25 a 21 e a partida em 3 a 0.

 

Substituindo Fê Garay, no segundo set, Jaqueline entrou disposta a mostrar o quanto está a fim de buscar mais uma medalha olímpica. A central jogou muito bem e é mais uma das belas opções do técnico brasileiro que está no banco de reservas.

 

- Fazia muito tempo que não sentia uma emoção como essa. Tive algumas oportunidades no Grand Prix, mas não como hoje. E jogar com a Rússia, jogando bem e ajudando a decidir é bom demais. Estamos evoluindo a cada jogo. Começamos com equipes inferiores e estamos ganhando volume de jogo após cada partida. Quem vem do banco está entrando bem e daqui para frente é estudar a adversária para seguir em frente no campeonato. A China é uma equipe que joga de maneira diferente das russas e de qualquer equipe que a gente enfrentou até agora. Temos que manter a atenção lá em cima e buscar logo essa vaga nas semifinais.

 

Natália, que é uma das principais atletas brasileiras nos jogos do Rio, está focada na busca do tricampeonato olímpico e destacou que as partidas com Japão e Coreia forma importantes na preparação e pode ajudar muito no confronto com as chinesas.

 

- Estamos jogando soltas. Acho legal a alegria que temos dentro de quadra e sempre que nos reunimos antes do jogo frisamos antes que temos que jogar com alegria. Independente de ser primeiro ou quarto, agora zera tudo e começa um campeonato novo. A gente vai pegar a China que e aquele time asiático clássico e chato de jogar, que troca bolas o tempo, sempre com jogadas rápidas. O bom de ter enfrentado Coreia e Japão é que as cada uma dessas equipes tem uma característica das chinesas. Uma troca mais bolas, outra gosta das jogadas rápidas. Mas estamos bem focadas e não vamos deixar essa vaga escapar – frisou a ponteira brasileira.

 

O discurso das brasileiras está afinado. A oposta Sheilla também falou sobre o jogo com a China e também lembrou que terça-feira começa um novo campeonato.

 

- Estamos dando passos lentos a caminho do tri olímpico. Fechamos em primeiro lugar do grupo, mas agora não vale mais nada. Começa outro campeonato e temos que ter muita concentração. O time da China é difícil, no Grand Prix tomamos uma paulada de 3 a 0 delas. Então, não adianta a técnica querer jogar a responsabilidade pra cima da gente, porque a gente devolve. Elas têm jogadoras muito rápidas e precisamos estar atentas a isso – disse a oposta, maior pontuadora do Brasil no jogo.

 

Pelas quartas de final, as meninas de ouro do Brasil voltam ao Maracanãzinho, às 22h35m, de terça-feira, dia 16, quando enfrentam a forte seleção da China em busca da classificação para as semifinais.

 

FICHA TÉCNICA:

Brasil 3 x 0 Russia

Local: Ginásio do Maracanãzinho

Data: 14 de agosto de 2016 (sexta)

Horário: 22h35m (de Brasília)

 

Centrais

Adenízia

Fabiana

Juciely

Thaisa

 

Levantadoras

Dani Lins

Fabíola

 

Libero

Léia

 

Oposta

Sheilla

 

Ponteiras

Fê Garay

Gabi

Jaque

Natália

 

Técnico: José Roberto Guimarães

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