Aleluia! Seleção brasileira quebra o jejum de gols e enfrenta Colômbia nas quartas

Mesmo ajudado pela fragilidade do adversário, mudança no time surte efeito, Brasil faz 4 a 0 na Dinamarca e segue vivo na luta pelo ouro olímpico da Rio 2016

Mudança de postura! Diz o ditado popular que, em certos casos, a melhor defesa é o ataque. Acuado pela situação de pressão que vivia nas Olimpíadas, a seleção brasileira de futebol parece ter levado o ditado ao pé da letra. Quem assistiu a contundente vitória por 4 a 0 em cima da Dinamarca, na Arena Fonte Nova, pôde constatar rapidamente a mudança de postura do time em campo. Se contra o Iraque a equipe não conseguiu demonstrar qualquer comportamento tático, na partida de hoje, válida pela última rodada do torneio olímpico de futebol, o time canarinho anulou o adversário e transformou as vaias, que se tornaram frequentes recentemente, em aplausos. A entrada de Luan na vaga de Felipe Anderson foi a mesma das últimas vezes, mas com Neymar recuado armando as jogadas com Renato Augusto e Gabriel Jesus aberto pela esquerda, os brasileiros criaram inúmeras oportunidades pelo lado esquerdo do ataque, abusando da movimentação e complicando a vida dos zagueiros europeus.

 

Um dos principais destaques negativos das últimas partidas, devido a grande quantidade de vaias que entoava nas arquibancadas, jogo após jogo, o comportamento da torcida mudou radicalmente. As vaias viraram aplausos e os gritos de olé mudaram de lado. Mas apesar da euforia do público, é preciso acalmar os ânimos e colocar os pés no chão, pois a próxima partida contra a Colômbia é eliminatória e qualquer erro pode custar o sonho eterno da medalha de ouro olímpica.

 

FINALMENTE UM GOL DEPOIS DE MAIS DE DUZENTOS MINUTOS SEM MARCAR

 

A seleção brasileira iniciou a partida tentando pressionar o time adversário. Renato augusto chamava a responsabilidade de tentar armar as jogadas do time canarinho e, logo de cara, para mostrar o seu cartão de visitas, puxou o ataque pelo meio, conduzindo a bola, enfileirando marcadores e tocando na área para Gabigol, que não alcançou. A seleção tentava criar as oportunidades e pressionava a Dinamarca em seu campo de defesa. Aos 13, Neymar cobrou falta na área, Rodrigo Caio dividiu com o goleiro e a bola foi para escanteio, na primeira grande oportunidade de gol do Brasil. Na sequência, mais uma jogada de Neymar que deu grande passe para Gabriel Jesus. O atacante entrou sozinho e bateu de perna esquerda. A bola passou ao lado do gol de Hojberg.

 

O Brasil seguia pressionando, Douglas Santos tentou duas vezes e cruzou da esquerda, a bola passou por Luan, mas não por Gabigol que, de perna esquerda, empurrou para o fundo da rede para alegria do torcedor presente na Arena Fonte Nova. Finalmente, depois de mais de 200 minutos, a seleção brasileira conseguia balançar as redes no torneio olímpico de futebol. Nesse momento, Iraque e África do Sul empatavam na Arena Corinthians, resultado que garantia o primeiro lugar do grupo para a seleção brasileira.

 

Os brasileiros seguiam criando chances. Gabigol recebeu cara a cara e tentou encobrir o goleiro que colocou para escanteio. Em bela jogada de contra-ataque, Neymar lançou Gabriel Jesus que entrou sozinho pela esquerda e perdeu uma chance incrível, batendo em cima do goleiro. Mas o Brasil e Gabriel Jesus não desistiam. Luan roubou a bola, arrancou pelo lado direito, tabelou com Gabigol e cruzou na medida para o atacante do Palmeiras operar o milagre, espantar a má fase e balançar as redes do gol dinamarquês. Com 2 a 0 no placar, o time de Rogério Micale desacelerou o jogo, esperando o fim do primeiro tempo.

 

BRASIL SEGUE PRESSIONANDO E GOLEIA NO SEGUNDO TEMPO

 

Mal a bola rolou para o segundo tempo e os brasileiros já pediam um pênalti, que o juiz mandou seguir. Neymar fez belo drible na entrada da área e rolou para Luan que bateu de lado de pé e por pouco não marca um golaço.

 

GOLAÇO: Aos cinco minutos, Neymar tabela na entrada da área, faz um lançamento espetacular para Douglas Santos que cruza da esquerda e Luan empurra para as redes. O terceiro gol da Seleção Brasileira foi um belo exemplo de jogada coletiva, jogadas que não haviam minimamente mostradas na partida anterior.

 

Mesmo após o terceiro gol, o ataque verde e amarelo não parava com a pressão e  seguia criando oportunidades. Douglas Santos, mais uma vez, cruzou da esquerda, mas a bola cruzou a área e ninguém alcançou. Wallace lançou Luan, quase na pequena área. O gremista driblou o zagueiro, mas adiantou demais e perdeu a bola. Os zagueiros da Dinamarca batiam cabeça e os brasileiros abusavam das jogadas de ultrapassagem nas costas da defesa. Com o jogo praticamente resolvido e com a Dinamarca sem esboçar qualquer possibilidade de reação, os comandados de Micale passaram a administrar a partida. O técnico brasileiro resolver poupar alguns jogadores, colocando William no lugar de Zeca e Rodrigo Dourado na vaga de Renato Augusto que, depois das vaias, injustas, diga-se de passagem, recebidas na partida contra o Iraque, saiu de campo ovacionado pelo torcida baiana que o aplaudiu de pé, reconhecendo seu esforço para criar jogadas no meio campo de jogo.

 

Neymar também queria o seu gol e passou a experimentar de fora da área. Primeiro a bola triscou a trave direita dinamarquesa, depois foi por cima do travessão. Mesmo dando mais espaço para a seleção europeia, O Brasil não deixava de buscar o jogo. Neymar recebeu pelo comando, lançou Gabriel Jesus na esquerda que, mesmo adiantando demais a bola, conseguiu cruzar para Gabigol marcar seu segundo gol na partida, quarto do Brasil. Então, bastou a seleção tocar a bola e aguardar o fim do jogo, garantindo a primeira posição no  grupo A e carimbando a vaga para enfrentar a Colômbia, nas quartas de final do torneio de futebol masculino das Olimpíadas Rio 2016, mantendo acesso o chama do sonho da medalha de ouro olímpica.

 

RENATO AUGUSTO, MAIS UMA VEZ, FALA NO FIM DO JOGO

 

Perseguido pela torcida após o jogo contra o Iraque, Renato Augusto falou sobre o incômodo com as críticas. – Quem não fica incomodado com as criticas. Ser criticado não é bom, mas a gente tem que trabalhar. Essa vitória foi importante e hoje tenho que agradecer o torcedor que me apoiou. Devo ter feito minha melhor partida com a camisa da seleção. Porém, o time jogou bem demais. Acho que o Gabriel Jesus foi o melhor em campo pela disposição dele armar as jogadas e escapar pelos lados do campo. Aumentamos a posse de bola e aceleramos mais o jogo pelas pontas. Isso fez o adversário ter que marcar nosso jogo correndo mais. Isso cansa. Foi uma postura que deu certo e devemos ir até o fim da competição desse jeito – disse o meia que saiu de campo ovacionado pela torcida.

 

GABRIEL JESUS: “PREFIRO JOGAR PELAS PONTAS”

 

Na saída de campo, o atacante Gabriel Jesus explicou que prefere jogar pelas laterais e que os erros contra África do Sul e Iraque ajudaram o time a superar as dificuldades. - Disse nas outras partidas que estávamos jogando um bom futebol e que não fazíamos o gol. Hoje, conseguimos fazer quatro e perdemos outros. Eu mesmo perdi dois, mas isso faz parte. Pela vontade que entramos em campo, merecíamos demais o resultado. Gosto de jogar e estarei sempre disposto a ajudar o grupo. Gosto mais de jogar pelos cantos, porque pego mais na bola e tenho mais liberdade. O torneio não começou hoje, começaram contra a África do Sul. Erramos bastante nos outros jogos, mas aprendemos com nossos erros – declarou o atacante do Palmeiras.

 

FICHA TÉCNICA

BRASIL 4 X 0 DINAMARCA

Local: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)
Data: 10 de agosto de 2016 (Quarta)
Horário: 22h (de Brasília)

Árbitro: Alireza Faghani (Irã)

 

Gols: Gabigol - 25’/1º T, Gabriel Jesus - 39’/1º T e 35’/2º T, Luan - 4’/2º T


Cartões amarelos: Gabriel Jesus (Brasil) e Andreas Maxso (Dinamarca)

BRASIL: Weverton; Zeca (William), Marquinhos (Luan Garcia), Rodrigo Caio e Douglas Santos; Walace, Luan e Renato Augusto (Rodrigo Dourado); Neymar, Gabriel Jesus e Gabigol

Técnico: Rogério Micale

 

DINAMARCA: Jeppe Hojberg; Desler Puggaard (Kasper Larsen), Pascal Gregor, Edigerson Gomes e Jakob Blabjerg; Andreas Maxso, Jens Jonsson, Frederik Borsting e  Lasse Vibe; Jacob Bruun Larsen e Nicolai Brock-Madsen (Robert Skov)

Técnico: Age Hareide

 

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