Espírito olímpico, o verdadeiro legado dos jogos Rio 2016.

A incrível história do trabalhador que confeccionou sua própria tocha olímpica e inseriu sua cidade no "tour" comemorativo do símbolo olímpico

Legado! Certamente, essa foi a palavra mais falada nesses anos que separam o dia que aquele pequeno envelope revelou o nome do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 da cerimônia de abertura alinhada na perspectiva desse oceano de emoções e sentimentos que fazem parte do imaginário popular de eventos dessa grandiosidade e que bate em nossa porta às vistas dos próximos dias.

 

Há os que se lembram da imagem da praia de Copacabana que rodou o mundo com a multidão explodindo de alegria ao ver o tão desejado sonho olímpico do Rio de Janeiro se realizar, depois da fracassada tentativa de 2004. Outros se lembram do salto do prefeito Eduardo Paes, comemorando como se fosse Pelé na Copa de 70, alçando um voo que seria eternizado na história, mas que o entrelaçou nos braços de Lula e Sérgio Cabral, ao tocar os pés no chão e voltar à realidade de sua decolagem eufórica.

 

Palavras não faltaram. Muita coisa se disse. Muito se falou. Foram análises e mais análises sobre como os Jogos Olímpicos podem ser importantes em um país como o Brasil. Nas rodas de amigos, quem não se habituou a falar sobre esse tal legado que deveria beneficiar todos os países que se atrevem a sediar um evento dessa magnitude? Temas como as obras de infraestrutura, as instalações esportivas, o investimento governamental, as parcerias público-privadas ou a suposta consciência que os dirigentes esportivos deveriam ter adquirido, são alguns exemplos que dominaram as discussões nos últimos tempos.

 

Porém, provavelmente, a maior herança que a Olimpíada do Rio deixará seja o encantamento que os Jogos provocam no brasileiro humilde. O despertar do espírito olímpico naquele brasileiro batalhador que acorda todos os dias para ganhar a vida e que dificilmente poderá participar de qualquer evento que envolva o clima das Olimpíadas, mas que nunca deixou de ser envolvido por esse sentimento. E foi justamente o espírito olímpico que arrebatou o coração de José Carlos Vidal, na pequena cidade de Bananal, interior de São Paulo, que fica a cerca de 160 km do Rio de Janeiro.

 

No domingo, dia 24, Kalu, como é conhecido desde a infância, confeccionou com bambus, querosene e garrafas de vidro uma tocha olímpica particular e inseriu simbolicamente sua terra natal no “tour” comemorativo, correndo pelas ruas encravadas de história da pequenina cidade do interior paulista. O pedreiro, que levanta todos os dias para disputar a Olimpíada da vida, conquistando o sustento dele e de sua noiva, deu um dos maiores exemplos de como o esporte pode ser representativo na vida das pessoas. À medida que cruzava as ruas e vielas da cidade, era aclamado pela população que o parava para tirar fotos e gravar vídeos. Homenagem mais que justa!

 

A ideia do revezamento veio depois do herói olímpico municipal ver um outdoor na cidade vizinha. “Estava em Volta Redonda e vi uma placa anunciando a passagem da tocha olímpica, a de verdade, por lá. Então, decidi colocar nossa terra nesse revezamento também” – afirmou. Vidal que se tornou sensação e será sempre medalha de ouro no coração dos moradores de Bananal, município do interior que, como tantos outros, não teve qualquer contato com o clima que tomou conta de boa parte do país por onde a chama olímpica passou.

 

Apaixonado por diversas modalidades esportivas, mas sem poder assistir qualquer evento ao vivo, José Carlos materializou em atos, as palavras do velho lema criado pelo Barão de Coubertin. Afinal, o importante é participar. E cada um participa da maneira que pode. José Carlos participou e, em tempos que as pessoas tendem a ver a vida pelo lado ruim, aprendemos um pouquinho como podemos passar a enxergar cores nos dias cinzentos. Cores que desde domingo, além de pintar as cinco raças nos arcos olímpicos, representam a alma iluminada do pedreiro olímpico José Carlos Vidal.

 

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