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Xangô e Mãe Aninha são trunfos da Alegria da Zona Sul

A Alegria da Zona Sul, primeira escola a entrar na Avenida no sábado de Carnaval, promete dar um banho de liberdade, amor, justiça e paz em sua volta ao Grupo de Acesso A.

A Alegria da Zona Sul, primeira escola a entrar na Avenida no sábado de Carnaval, promete dar um banho de liberdade, amor, justiça e paz em sua volta ao Grupo de Acesso A. A agremiação vai contar a trajetória de Mãe Aninha, fundadora de um centenário terreiro de Candomblé na Bahia, o Ilê Axé Opó Afonjá. Para isso, nos remeterá à mitológica África, onde revelará a história de paz e justiça de Xangô, o Rei de Oyó e orixá de cabeça de Mãe Aninha. Durante o desfile, o público poderá conhecer as realizações da Yalorixá, que elencou 12 personalidades da cultura brasileira para propagar os ensinamentos de paz e justiça do Deus do Trovão. Fato que a colocou entre as maiores figuras na luta pela liberdade religiosa no Brasil.

 * Confira organograma do desfile

Nascida durante a Lei do Ventre Livre, Eugênia Anna dos Santos, a Mãe Aninha, cresceu num Brasil cheio de preconceitos e injustiças, onde a cultura negra era marginalizada. Foi iniciada no candomblé por Dona Marcelina de Xangô, no Engenho Velho, ainda no frio da senzala. Recebeu o nome de Obá Biyi, que quer dizer: Xangô nasceu aqui, nesta terra. Fundou o Ilê Axé Opó Afonjá para alcançar o objetivo de transformar o mundo através dos ensinamentos dos orixás. Para isso, criou o ‘Corpo dos Ministros de Xangô’ ‘Os doze Obás’, responsáveis pelo destino do seu Ilê Axé. Eles têm a missão de preservar as tradições religiosas e lutar pelo crescimento e respeitabilidade da religião africana.

 

 

Quem começou a desvendar os mistérios desta história foi o diretor de carnaval da escola, Flavio Mello, que sintetiza o que a escola mostrará no dia 05 de março: - O enredo da Alegria retrata a história do Rei de Oyó. A história começa na África, quando Xangô, ainda guerreiro, domina e conquista várias aldeias africanas. Quando chega a Oyó, ele some e se transforma em orixá. Os seus discípulos, em um grupo de 12 aldeias conquistadas por ele, na tentativa de propagar a sua história, criam um grupo de 12 ministros de Xangô, para que sua história não seja esquecida. Tempos se passam e, enfim, em nossas terras, nasce a grande predestinada, Eugênia Anna dos Santos, que na Bahia, cria o terreiro de Candomblé Ilê Axé Opó Afonjá, com o objetivo de propagar a história do seu orixá de cabeça, Xangô, e perpetuar toda a sua magnitude e história. Ela cria o corpo dos 12 obás de Xangô. Dentre eles, figuras de representatividade em nossa cultura: Jorge Amado, Gilberto Gil, Caribé, Antônio Olimpo. Eles são iniciados espiritualmente neste terreiro, que completou 100 anos em 2010. Logo após ela vem a falecer e suas sacerdotisas estão dando continuidade.

Flavio revelou a importância do cantor Gilberto Gil, um dos doze Obás, no desenvolvimento do enredo. O próprio Gilberto foi o elo entre a escola e o terreiro Ilê Axé, hoje dirigido por Mãe Stela. O diretor de carnaval da Alegria diz que a presença de Gilberto Gil no desfile não está garantida, devido a agenda shows do baiano no Carnaval, mas que a possibilidade do cantor ser destaque na terceira alegoria da escola é de 80%. Devido à idade, já avançada, Mãe Stela também não poderá estar presente, mas 20 representantes do terreiro desfilarão na Alegria da Zona Sul. O terreiro tem uma filial em Coelho Neto, Zona Norte do Rio.

Desde 2006 afastada do Grupo A, Flavio Mello revela qual é o objetivo da Alegria no Carnaval 2011, além de contar como a agremiação faz para ultrapassar os obstáculos financeiros: - Acho que a escola tem plenas condições de subir ao Grupo Especial. Com todo o respeito às co-irmãs, estamos fazendo um Carnaval com o objetivo de ganhar. Tenho um ótimo samba, um ótimo enredo e um trabalho conduzido e planejado. A Alegria vai fazer um Carnaval técnico, mas de muita emoção. Nós vamos passar cantando o samba. A subvenção do Grupo de Acesso é de R$ 700 mil. Temos que driblar a dificuldade financeira na criatividade e reciclagem.

A quantidade de enredos afros no Carnaval é outra preocupação da equipe de criação da Alegria, Flavio ressaltou que apesar de tratar de um tema recorrente à África, a Sapucaí não verá uma Alegria da Zona Sul previsível: - Estamos tentando fugir do material rústico, exatamente para fugir de todas as Áfricas que passaram na Sapucaí, mas é óbvio que algum momento estarão inseridas coisas assim. Usaremos bambu, ráfia e muita pintura de arte, além de esculturas adereçadas com materiais de luxo. Trabalhamos também com espuma veludo e galões tradicionais de Carnaval. Queremos transformar o rústico em luxo. O diferencial é a cor. A escola não virá africanizada do início ao fim. Temos um único setor sobre a África, mas é uma África rica e luxuosa, temos muito lamé e espelho nesse setor. Vamos usar elementos que fazem lembrar a África, mas não materiais africanos.

Para que nada dê errado no dia do desfile, Flavio disse que a escola está se cercando de muita orientação espiritual. Tudo para que a história de Xangô e de uma das maiores líderes religiosas do Brasil não seja contada de forma equivocada: - O Ilê Axé Opô Afonjá está nos prestando uma consultoria. Ajudando-nos para que não pequemos na base histórica da religião. Pelo menos uma vez por semana estamos em contato com eles. O Pai Renato e o Pai Francisco do Ilê Axé do Rio estão sempre conosco e terão uma ala na escola. Eles estão cuidando espiritualmente de todas as quizilas. Estamos mexendo com as forças da natureza e eles estão tratando de abrir os nossos caminhos. Na abertura do nosso Carnaval vamos fazer um ritual orientado por eles para que Exú, que abre portas, Oxalá, que é o supremo Deus maior e Xangô, que é o nosso homenageado possam nos iluminar. Vamos fazer um assentamento antes de a escola entrar na Avenida e cantar pontos de Xangô.

Além da proteção espiritual, a Alegria espera contar com a conscientização de seu componente. Flávio disse que espera estar com a escola pronta para entrar na Avenida às 19h, uma hora antes do início do desfile. Ele revelou que abrir a noite de desfiles não será considerado um problema caso a escola repita o desempenho dos ensaios técnicos na Avenida Atlântica: - Não tenho dúvida que a escola fará um grande desfile. Constatamos as falhas do nosso ensaio na Sapucaí e estamos trabalhando em cima disso. Nossos ensaios na Avenida Atlântica já mostram uma escola mais vibrante. Sabemos a dificuldade que é abrir o Carnaval, mas com a garra e a dedicação do componente vamos superar isso.

 

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