É ouro! Alisson e Bruno iluminam com medalha dourada noite chuvosa na Rio 2016

Brasileiros passam por dupla italiana e conquistam medalha de ouro que não vinha para o Brasil desde 2004

 

Quando o vôlei de praia começou a fazer parte do programa olímpico em Atlanta 1996, a impressão que tínhamos era que a modalidade seria um reinado eterno dos brasileiros a cada ciclo de competições. Porém, logo na primeira disputa percebemos que não seria bem assim. Afinal, apesar da dobradinha no feminino, o país ficou sem representantes no pódio masculino. De lá pra cá se vão vinte anos de disputas e o único título dos homens havia sido o de Emmanuel e Ricardo, em Atenas 2004. Havia! Porque na noite chuvosa dessa quinta-feira, na Arena de Copacabana, Alisson Cerruti e Bruno Schmidt colocaram seu nome na história olímpica da categoria. Os brasileiros derrotaram a dupla italiana Paolo Nicolai e Daniele Lupo por dois sets a zero (21-19, 21-15) e após duas décadas reconquistaram a medalha de ouro. Um dos espaços mais animados do circuito olímpico viveu seu ápice na hora que os campeões foram ao pódio receber suas medalhas e os acordes do hino nacional tomaram conta do ambiente. Certamente, uma cena que não irá sair tão cedo da cabeça da jovem dupla brasileira.

 

Após começarem juntos, os parceiros trilharam caminhos opostos que culminou com a conquista da medalha de prata de Alisson nas Olímpiadas de Londres 2012. Obstinados, retomaram a parceria em 2014, escolheram estrategicamente quais competições participar e depois de doze anos, recolocaram a bandeira do Brasil no lugar mais alto do pódio. Quando se fala em vôlei de praia, pensamos logo no calor do dia ensolarado, com o sol queimando a pele bronzeada daquelas que vem e que passam em seu balanço a caminho do mar. São quase sinônimos. Inseparáveis! Porém, depois desse início de madrugada, em Copacabana, será difícil, todas as vezes que ouvirmos falar de vôlei de praia, não se lembrar da chuva, do frio e da noite que o brilho maior não vinha do céu, mas do ouro cravado no peito daqueles que um dia pensaram que não conseguiriam, mas que jamais deixaram de acreditar.

 

O público mostrou que iria jogar junto com os donos da casa desde o primeiro momento. Na primeira bola do jogo o árbitro marcou bola fora do ataque brasileiro, mas Bruno Schmidt solicitou o desafio eletrônico e comprovou que a bola havia tocado no bloqueio italiano, conquistando o primeiro ponto da partida. Os italianos começaram sacando muito bem e abriram cinco a um no placar, obrigando a dupla da casa a parar a partida no primeiro pedido de tempo técnico. O time brasileiro voltou mais concentrado. Bruno passou a defender muito bem e Alisson cresceu no bloqueio, virando a partida. As duplas passaram a disputar muito as bolas. Os brasileiros começaram a pressionar a equipe adversária. Em uma disputa apertada na rede, Alisson precisou bater três vezes, mas conseguiu colocar entre os dois visitantes e cravou o ponto do Brasil que abria três pontos de vantagem no placar. Mas, como nada poderia ser fácil, a dupla brasileira cometeu erros seguidos e a dupla italiana passou à frente, fazendo 19 a 18 no placar. Tomar a virada a essa altura da passagem é algo muito perigoso nas partidas do vôlei de praia. Perigoso, sim. Não para Alisson e Bruno. Os brasileiros mantiveram a calma e forçaram os italianos aos erros. Nicolai tirou do bloqueio e colocou para fora. Na jogada seguinte Alisson ergueu o paredão em cima do italiano que jogou a bola na rede e deu a vitória no set para os brasileiros por 21 a 19. A dupla da Itália ainda pediu o desafio eletrônico pedindo toque do brasileiro na rede, que as imagens comprovaram que não existiu.

 

O primeiro ponto do set foi dos italianos, mesmo com a grande defesa de Bruno. A partida ficou parada durante um bom tempo por causa de uma discussão entre o árbitro e o italiano Lupo que levantou a mão pedindo desafio eletrônico enquanto a bola ainda estava em jogo, o que não é permitido pelo regulamento o recurso. O árbitro pediu que a marcação fosse verificada e comprovou que estava certo em sua decisão, tirando dos italianos uma das duas possibilidades de utilizar a regra. O time da casa abriu uma pequena vantagem e os visitantes pararam a partida, solicitando o tempo técnico. Os brasileiros administravam os dois pontos à frente no placar, conquistados após uma disputa de tirar o fôlego. O italiano Nicolai armou o bloqueio para cima dos brasileiros que pararam a partida ao ver a diferença no placar subir para três pontos. Lupo tentava atacar, mas parou duas vezes no bloqueio do Brasil e viu os adversários empatarem a partida e abrirem dois pontos. Bruno Schmidt simplesmente se agigantou e a bola dos italianos não caia mais na quadra dos brasileiros, mesmo quando passava pelo bloqueio.  No erro de Lupo na disputa de bola na rede, o árbitro marcou dois toques do italiano e encerrou a partida com a vitória do time brasileiro no segundo set por 21 a 15.

 

Com a medalha de ouro no peito, Bruno Schmidt revelou que só não abandonou o vôlei de praia porquê seu pai não permitiu e o incentivou a continuar.

 

- Eu não tenho nem o que falar. Por várias vezes pensei em desistir, mas meu pai nunca deixou isso acontecer. Eu achava que estava perdendo o tempo da minha vida insistindo no vôlei. Meu pai sempre a creditou em mim e, mesmo recentemente, não me deixou abandonar o esporte. Faz quinze dias que não durmo direito. Minha cabeça ficou a mil e só conseguia dormir quatro horas por noite. Estou muito cansado, mas valeu a pena. Só posso agradecer a ele e ao nosso técnico. Eles são os dois grandes responsáveis por eu estar aqui hoje – agradeceu o campeão olímpico.

 

Depois de ser vice campeão em Londres, Alisson falou sobre o caminho da dupla até chegar no degrau mais alto do pódio nas olimpíadas em casa.

 

- Não tinha roteiro melhor. Uma dupla que se conheceu com 18,19 anos e cada um seguiu seu caminho, mas que se juntou novamente, que acreditou em si, que tinha a desconfiança de muita gente. É isso aí. Nossa conquista mostra que não tem mistério, que não tem segredo. Tem que ter humildade, tem que trabalhar – finalizou a muralha brasileira nas areias de Copacabana.

 

 

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